field note · 27 de junho de 2025
Atravessado pelos Lençóis
São Luís, Maranhão, Brasil — 27 de junho de 2025
Ainda tento decifrar o turbilhão de sensações depois de ter sido atravessado pelos Lençóis Maranhenses. O sentimento mais vívido é, sem dúvida, um brilho radiante. Talvez resultado de tantos raios de Sol recebidos enquanto eu enterrava os calcanhares nas dunas, corria como criança pela areia fina, mergulhava inteiro e desajeitado nas lagoas doces e contemplava, quase em reverência, o calor desse astro.
Mesmo situado a 150 milhões de quilômetros, o Sol irradia sobre nós uma força implacável, gerando aqui toda a vida que conhecemos. Me sinto carregado dessa vitalidade, com vontade de, tal qual o Sol, distribuí-la a quem ousar se aproximar. Quebro o gelado anonimato da cidade lançando calorosos bom-dias a desconhecidos. Interrompo o silêncio tranquilo das manhãs — e novamente das noites — tocando a deliciosa agonia das canções de amor. Dissipo a apatia triste reacendendo a esperança de me apaixonar.
Não foi apenas o Sol que recarregou nossas baterias: também a presença das pessoas com quem compartilhei cada desafio e conquista. Ali, entre dunas, lagoas e pessoas, percebemos que sair da zona de conforto — fazer o difícil, encarar o medo — é o caminho para sentir a plenitude de ser humano.
Colhendo os frutos de muito esforço, me sinto mais forte do que nunca. Quero provar a mim e a todos que somos capazes de realizar qualquer coisa a que nos dediquemos de verdade. Afinal, se não houver tempo para viver bem-vivido agora, quando haverá tempo para viver novamente?